sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Ensaio sobre a cegueira de José Saramago - comentário

 "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." 

José Saramago.


O DESCORTINAR

Nobel de Literatura no ano de 1998, Ensaio sobre a cegueira do escritor português José Saramago, é um livro rico e distinto; apesar do próprio autor considerar a obra como “sendo difícil de ser escrita e realizada sob intenso sofrimento”.


O texto flui com certa rapidez, é narrado em terceira pessoa e sem pontuação das frases, um recurso literário que é chamado “ fluxo de consciência”, em nada impede o entendimento do enredo. 


Interesses pessoais, conflitos internos e externos, o despreparo das autoridades em não saber lidar adequadamente com a epidemia, a luta pela sobrevivência num mundo cego e cruel, são alguns temas que nos fazem refletir ao longo das suas páginas.


Uma crítica mordaz ao ser humano. O descortinar da sua própria alma.


O ensaio sobre a cegueira é um espelho aos nossos olhos, que enxergando, vemos a luz refletida de nossas ações, onde conhecemos a natureza humana, e do que ela é capaz em momentos de extrema crise. 


Raquel Lopes

poeta, estudante de artes, filosofia e literatura





José Saramago na Sabatina Folha de São Paulo - "Ensaio Sobre a Cegueira"




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