"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
José Saramago.
O DESCORTINAR
Nobel de Literatura no ano de 1998, Ensaio sobre a cegueira do escritor português José Saramago, é um livro rico e distinto; apesar do próprio autor considerar a obra como “sendo difícil de ser escrita e realizada sob intenso sofrimento”.
O texto flui com certa rapidez, é narrado em terceira pessoa e sem pontuação das frases, um recurso literário que é chamado “ fluxo de consciência”, em nada impede o entendimento do enredo.
Interesses pessoais, conflitos internos e externos, o despreparo das autoridades em não saber lidar adequadamente com a epidemia, a luta pela sobrevivência num mundo cego e cruel, são alguns temas que nos fazem refletir ao longo das suas páginas.
Uma crítica mordaz ao ser humano. O descortinar da sua própria alma.
O ensaio sobre a cegueira é um espelho aos nossos olhos, que enxergando, vemos a luz refletida de nossas ações, onde conhecemos a natureza humana, e do que ela é capaz em momentos de extrema crise.
Raquel Lopes
poeta, estudante de artes, filosofia e literatura